O viver deve continuar sendo determinado pela lógica de mercado e consumo, onde as pessoas valem mais pelo que têm do que pelo que são? Em tempos neoliberais, de coisificação das relações humanas e de tantas certezas, é profícuo o exercício da dúvida, das ações questionadoras.

Neste sentido, a ação cultural, de caráter transformador, é tão necessária quanto essencial se entendermos que é mais pela via artística que homens e mulheres podem expressar sua integralidade; se é por aí que circula o sangue oxigenador do imaginário, que estimula a criatividade, que fortalece a mente, que anima o coração, que dá mais sentido, alegria e prazer à vida.


Se entendermos que é por aí que vão se criando laços de ternura, de amorosidade, amizade, rebeldia, de inquietação e de inconformismo com a realidade.


É nessa dimensão crítica e aberta que podemos vislumbrar uma história diferente, na ótica da inclusão, da emergência de novos sonhos, novas utopias e realizações. Tempos de abraços afetivos, na construção da solidariedade permanente.


Nesse caminho de busca de nossa verdadeira identidade, do desnudamento dos valores dominantes, é possível apontar para a descoberta profunda de nós mesmos, de nossa raiz, de nossa cultura, de nossa condição de nação.


Afinal de contas de que serve a arte, senão para alimentar a vida de vida? Senão, para nos encharcar de possibilidades?
É possível ser diferente?


Pelo menos, tente.

*autor dos livros Sindicato e Cultura (Sinergia/Editora Insular) e Cem Poemas (Editora da UFSC), dentre outros. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.