Que relação há entre um sistema terapêutico, seu benefício para a saúde e o despertar da espiritualidade? Esta questão envolve todo aquele que pela primeira vez toma contato com o Reiki, técnica de imposição de mãos desenvolvida pelo japonês Mikao Usui no início do século XX e que hoje está bem disseminada no ocidente, com milhares de praticantes em todo o mundo.

Um primeiro ponto a ser abordado é quem pode praticar Reiki. A resposta é tão simples quanto a técnica: qualquer pessoa que participe de um curso e que seja sintonizada através de um exercício específico realizado por um mestre de Reiki habilitado. Não depende de etnia, formação profissional, gênero, idade ou conhecimentos prévios sobre saúde. É, portanto, algo a ser usado por seres humanos que se disponham a aprender e desenvolver um dom especial que envolve a harmonização do corpo em diversos aspectos de sua existência.

Quem pratica Reiki de maneira sistemática, com constância, percebe como ele pode despertar sentimentos de bem estar, aumentando ainda a capacidade de concentração e ampliando a consciência para além das percepções meramente materialistas. Reiki, portanto, promove uma abordagem holística da consciência, permitindo à pessoa que o pratica vivenciar outros aspectos de sua própria realidade a partir da transcendência.

A percepção transcendente, no entanto, não é necessariamente algo místico ou misterioso. Possui fundamentação no próprio desenvolvimento psíquico, uma vez que ao ampliarmos o campo da consciência permitimo-nos descortinar os véus do Ego e penetrar, suavemente, nos reinos de nosso Inconsciente (JUNG, 2015). O Reiki tem, portanto, uma função transcendente que pode levar à união dos conteúdos conscientes e inconscientes.

Nesta etapa de união, de unidade entre as forças do consciente e do inconsciente, de individuação, é que nos encontramos no caminho da Saúde. Passamos a reconhecer o corpo como reflexo de nossa consciência. Muitas pessoas que praticam Reiki mudam de hábito, começam a perceber outras nuances da realidade que as levam a ter uma atitude diferenciada diante da vida. De acordo com Dethlefsen e Dahlke (2007): “É a doença que torna os homens passíveis de cura. A doença é o ponto de mutação em que um mal se deixa transformar em bem. Para que isto possa ocorrer, temos de baixar a guarda e, em vez de resistir, ouvir e ver o que a doença tem a nos dizer” (p. 60).

Neste ponto, a Espiritualidade permeia todo aquele que entra em contato com Reiki. Ao se aprofundar no conhecimento de si mesmo através de exercícios simples de meditação, e utilizando as mãos como agentes de harmonização mental e emocional, o praticante de Reiki vai tomando contato com o sentimento do Sagrado que nele reside. Não se trata de religiosidade ou de identificação com alguma doutrina ou seita, mas de um sentimento de pertencimento ao Todo, de transcendência, que possibilita, dentro do tempo de cada um, desenvolver aspectos nobres do seu sistema límbico (que regula as emoções), como o desprendimento, a compaixão, a empatia, etc.

Reiki vai resolver todos os problemas da pessoa e levá-la a um estado de iluminação permanente? Não necessariamente. Mas permitirá a ela conhecer-se melhor e fazer escolhas mais adequadas e em harmonia com a sua Unidade Existencial, que inclui a sua racionalidade, o seu sentimento, as suas emoções e os princípios intuitivos que são despertados quando se permite “ouvir a voz do coração”, ou seja, quando se está em harmonia com sua Espiritualidade pessoal, com aquilo que a liga à Essência da Vida.

REFERÊNCIAS

DETHLEFSEN, Thorwald; DAHLKE, Rûdiger. A doença como caminho. São Paulo, Cultrix, 2007.
JUNG, Carl Gustav. Espiritualidade e transcendência. Petrópolis, Vozes, 2015.


Camilo de Lélis Mendonça Mota é psicanalista, terapeuta holístico, atende em consultório em Araruama e Saquarema (www.camilomota.com.br)