Arteterapia, meditação, musicoterapia, tratamento naturopático, tratamento osteopático, tratamento quiroprático e Reiki passaram a integrar a oferta de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS). A portaria do Ministério da Saúde foi publicada em janeiro, ampliando o atendimento à população. Os serviços são oferecidos pelas Prefeituras, de acordo com o interesse de investimento na área, mas recebem financiamento do Ministério da Saúde por meio do Piso de Atenção Básica (PAB) de cada município.

De acordo com o psicanalista e terapeuta holístico Camilo Mota, que atua na Região dos Lagos há mais de dez anos, a abertura do campo profissional na área de saúde complementar é um ganho para a população, que passa a ter acesso a um serviço ainda restrito a consultórios particulares.

“A possibilidade de ampliar o acesso da população a terapias complementares é bem vinda, pois pode levar para áreas de maior carência social as técnicas que atuam na melhora da qualidade de vida da pessoa como um todo, desde suas condições físicas, como também emocionais e mentais. No entanto, para isso efetivamente funcionar, ainda há de haver sensibilidade do poder público, definição de critérios para admissão dos técnicos que poderão atuar, etc. Mas para quem tem uma visão holística e acredita na força que essas técnicas têm para ajudar as pessoas na recuperação e prevenção da saúde, é uma oportunidade de também começarem a pensar em uma boa formação profissional desde já”, disse o terapeuta.

Camilo Mota alerta, no entanto, para que os próprios terapeutas não se iludam, correndo o risco de abrirem mão de um conhecimento holístico em favor de um paradigma marcadamente estatístico como acontece atualmente no SUS.

“É inconcebível para um terapeuta de Reiki, por exemplo, ter de abrir mão da qualidade de seu atendimento, que leva tempo e precisa desenvolver o acolhimento de seu cliente, para se adequar a uma meta a ser cumprida, retirando da técnica um de seus diferenciais que é justamente a compreensão da pessoa como um todo, e uma dedicação amorosa que não pode ser impessoal”, ressalta.

O terapeuta destaca ainda que, no caso do Reiki, a formação inclui aspectos de conhecimento formal, mas o mais importante é a prática espiritual que fortalece o desenvolvimento de um bom reikiano.

“Um bom terapeuta de reiki não é aquele que cursou 50 ou 60 horas/aula de um curso técnico e teórico. O mais importante, no meu entendimento, é a vivência que a pessoa tem com a experiência viva que o Reiki proporciona, e é isso que diferencia um terapeuta acolhedor, que trabalha de maneira amorosa, de um outro que possa estar fixado apenas na apreensão de conteúdos formais”, concluiu.

Para o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Allan Nuno, a medida do Governo será útil para o desenvolvimento de programas para formação de trabalhadores e investimentos na área.

“O que a gente está colocando é a possibilidade de realização e registro no sistema de informação do ministério para reconhecer formalmente esse tipo de procedimento no SUS e monitorar as ações, a partir disso, vamos conseguir inclusive desenvolver ações de formação dos trabalhadores”, disse Nuno.